O desenvolvimento acelerado e desordenado alerta-nos a todo momento para os estragos, talvez irreversíveis, que a humanidade está causando ao meio ambiente. Isso não sai de meu pensamento! Toda matéria deteriorada resultante do abandono interessa-me, e a partir do final da década de 1990, começo a trabalhar com revistas e jornais velhos. Sem conseguir desapegar-me e jogar no lixo as publicações com material tão rico, começo a série Ruínas - A Construção do Mundo Moderno, que vai se desdobrando em diferentes suportes que aparecem em meu caminho como fotografias estragadas pela umidade, vidros quebrados, manchas de fungo e mofo nas paredes, madeiras e livros comidos por cupins e traças...

“Renovação, mudança, santificação - e a alma precipita-se a um novo ataque - eu o sei. Mas quem, pois, se renovaria sem destruir-se antes de tudo.” R. M. Rilke

“Esse outro mundo em mim não provoca alvoroços, 

Reduz este primeiro a um monte de destroços, 

É possível que o outro assim surja fecundo” Goethe

 

“Enquanto a literatura é processada como coisa, a linha torna-se um texto indecifrável que segue pontilhado, contornado, amarrado ou escorregado. Suspensos pelo fascínio entre o quase tudo que foi e o quase nada que resta, os trabalhos de Juliana Hoffmann acolhem o espectro que habita bem no âmago que mistura o que perece e o que persiste, o que desaparece e o que sobrevive. Questão que conduz ao paradoxo de que as imagens são como fantasmas situados, concomitantemente, entre a condição de clausura e de extrapolação do tempo.” Rosângela Cherem

 

“Há, no entanto, o percurso da arte escultórica do cupim que, tal qual um artista de vanguarda, paralelamente ao próprio ato de destruir deixa sua própria marca bárbara de construção.” Ana Luiza Andrade