Foram décadas trabalhando a cidade, minha série mais longa, e que talvez nunca termine. Em um primeiro olhar o conjunto destas minhas cidades podem parecer caótico, disperso e nada homogêneo, mas é a realidade, assim são as cidades hoje, esse excesso. Excesso de tudo, de imagens, de sons, de gente, de informação, de movimento, de luz,….. nos hipnotiza, nos cansa e nos encanta, nos vicia.

Me deixei levar pelo entorno, pelas mudanças bruscas do real, para onde meu olhar me levava eu ia. Se eu tivesse criado a minha cidade homogênea, sei que seria mais fácil entrar nela, mas não seria Juliana.

Convido a todos a entrarem e circularem por minhas CidadesCidades serenas azuladas onde tudo desliza com suavidade, cidades concisas em P&B, cidades sofridas em vermelho, cidades em camadas sobrepostas com transparências, cidades sonhos nos levando de dentro pra fora e de fora para dentro com um mover dos olhos abstraindo o percurso, cidades enleadas, interligadas, divididas, machucadas, cidades da alma, curadas, vazias, fragmentadas, amplificadas nos detalhes.

“A Cidade aparece como um todo no qual nenhum desejo é desperdiçado e do qual você faz parte, e, uma vez que aqui se goza tudo o que não se goza em outros lugares, não resta nada além de residir nesse desejo e se satisfazer.” Ítalo Calvino, em Cidades Invisíveis, 1972.

“A cidade de Juliana. Nova, sim, inédita, porque contém um toque que provém dos celeiros, é verdade que hoje fragilizados, da sensibilidade singular do artista. Escala-se essa cidade por rampa que não leva ao passado, do qual se faria uma resenha; nem conduz ao futuro, ao qual se daria sentido de expectativa. Há de ser assim já que não falamos da cidade tópica, mas da cidade utópica. Rampa, aquela, que aponta  portanto ao presente, o presente do coração desperto.” João Evangelista de Andrade Filho, no texto sobre a série Cidades de Juliana Hoffmann, 2004.